Arquivo de Ago de 2011

Mais um exemplo de falta de manutenção e estruturação da rede de ensino

Comentei ontem aqui no blog sobre a falta de manutenção e estruturação da rede de ensino, referindo-me às instituições de ensino técnico. Do mesmo problema padece as instituições de ensino superior. Na edição de hoje, o jornal O Estado de São Paulo trouxe uma matéria mostrando o abandono do campus de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Enquanto a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Educação Fernando Haddad ministravam a aula inaugural do curso de Medicina da Universidade de Pernambuco (UPE) no mesmo município do Agreste, a cinco quilômetros dali, alunos e professores da Rural davam entrevista reclamando da insuficiência de servidores, da falta de sala de aula e laboratórios, de ônibus, de água… A comunidade acadêmica encaminhou à Presidência um documento de 26 páginas relatando os problemas no local. Mais um exemplo de que é preciso alocar as verbas públicas não só na ampliação, mas também na melhoria da rede de ensino já em funcionamento.

Sobre as escolas técnicas…

O esforço de ampliar a oferta de educação profissionalizante faz parte dos planos do Governo federal, mas pelo visto falta dar uma atenção maior às instituições já em funcionamento. No mês em que a presidente Dilma Rousseff anunciou a criação de 120 novas escolas técnicas através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), mais da metade dos Institutos Federais e dos Centros Federais de Educação Tecnológica estão sem aula, com professores e funcionários em greve.

Um total de 220 dos 403 campi espalhados pelo País está com as atividades paralisadas ou parcialmente paralisadas. E não é só a questão salarial que faz parte da pauta dos grevistas. Eles reclamam por falta de infraestrutura básica para o funcionamento de várias unidades. Como já destaquei em vários artigos, a expansão da rede é necessária para fomentar mão-de-obra indispensável para o crescimento do nosso País, mas essa ampliação precisa vir acompanhada da estruturação e manutenção das instituições já em funcionamento.

Ensino Superior público com contrapartida social

Na última semana a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados rejeito propostas de emenda constitucional que extinguiam a gratuidade do ensino superior público no Brasil. O debate foi levantado em função da inversão de lugares que se observa na educação universitária em nosso País: quem pode pagar, por vir de uma educação básica em instituições privadas de excelência, conquista vaga nos cursos mais concorridos da universidade pública. Aos concluintes de ensino médio em instituições públicas cabe recorrer a programas de financiamentos ou ao meritoso Prouni para ingressar na graduação em uma instituição particular.

Concordo que acabar completamente com a gratuidade do Ensino Superior Público seria desrespeitar uma cláusula pétrea em nossa Carta Maior. Mas se não uma contrapartida financeira desses estudantes com maior poder aquisitivo, ao menos uma contrapartida social deveria ser exigida. Um bom modelo seria o que vem sendo adotado para abatimento da dívida do Fies através de prestação de serviços em municípios carentes. Esta semana o Ministério da Saúde divulgou uma lista com 2 mil cidades em que médicos recém-formados poderão atuar para reduzir ou até quitar o salto devedor do financiamento estudantil. Desse total, 1.650 localidades ficam na região Nordeste. Uma excelente iniciativa que poderia ser ampliada, reduzindo assim a carência de profissionais nos grotões de nosso Brasil.

Boas notícias para os micros e pequenos empresários

Duas iniciativas lançadas esta semana trazem bons ventos para os micros e pequenos empresários. Ontem a presidente Dilma Rousseff lançou o Programa Microcrédito Orientado, que fornece crédito a juros mais baixos para microempreendedores individuais e microempresas, com a expectativa de atender 3,4 milhões de clientes até 2013. Hoje, em Pernambuco, o governador Eduardo Campos inaugurou a Agência de Fomento do Estado (Agefepe), para concessão planejada e direcionada de crédito a micros, pequenos e médios empresários, produtores urbanos e rurais, para aumentar a competitividade junto aos setores industrial, comercial e de serviços. Os grandes investimentos industriais e estruturadores são essenciais para o nosso desenvolvimento econômico, mas é incentivando os empreendimentos menores que poderemos estimular à descentralização da geração de emprego e renda.