O sucesso do nosso Carnaval

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), o qual presido, revela que o Carnaval de Pernambuco é um produto comercial e turístico que precisa ser explorado cada vez mais pelo poder público e a iniciativa privada. O estado deve atuar como gestor do Carnaval. E também deve incentivar a iniciativa privada a explorá-lo comercialmente. Ambos os atores, poder público e iniciativa privada, devem ser parceiros.

A pesquisa do IPMN revelou que o folião gostou do carnaval 2010 em vários aspectos – 93,1% afirmaram que o Carnaval deste ano foi Ótimo/Bom. Destacamos que 84,6% dos foliões aprovaram positivamente o trabalho da Polícia. Aproveito para parabenizar o governador Eduardo Campos pela gestão eficiente da segurança pública no Carnaval.

É importante destacar também que 48% dos entrevistados declararam ter brincado pelo menos uma vez o Carnaval deste ano. Friso que 8,7% declararam que não brincaram o Carnaval em razão da violência. No caso, o possível folião tinha ou tem a expectativa de que, ao brincar Carnaval, ele poderá ser vítima de algum ato violento. Neste sentido, é importante o aprimoramento frequente das ações de segurança.

O transporte público foi muito usado pelo folião – 66,4% afirmaram que usaram transporte público neste carnaval. Neste universo, 88,7% utilizaram o ônibus. Saliento que 80,5% aprovaram os serviços de transporte público. Em contrapartida, 70,5% dos foliões não usaram os serviços de táxi. Dentre aqueles que utilizaram os serviços de táxi, 76,8% aprovaram os serviços.

A pesquisa revela que o Carnaval do Recife Antigo atrai foliões – 53,6% declararam ter brincado carnaval no Recife Antigo. 94,3% desses foliões consideraram o Carnaval do Recife Antigo como Ótimo/bom. A pesquisa mostra que os pólos de folia organizados pela prefeitura do Recife atraem público. O pólo mais frequentado é o do Bairro do Recife. Portanto, a iniciativa do ex-prefeito João Paulo de descentralizar o Carnaval do Recife é louvável. Assim como as ações do prefeito João da Costa no Carnaval deste ano.

O Galo da Madrugada atrai muitos foliões. Daqueles que declaram que brincaram Carnaval, 56,4% afirmaram que foram ao Galo da Madrugada. Neste universo, 95,5% afirmaram que o Galo da Madrugada foi Ótimo/bom. Saliento que a prestação da segurança pública no Galo da Madrugada neste ano é merecedora de aplausos.

O frevo sobrevive, apesar de 43,2% dos entrevistados afirmarem que preferem brincar o Carnaval ao som de todos os ritmos. Mas, 36,2% querem “pular” Carnaval exclusivamente ao som do frevo. Concluo, portanto, que o recifense valoriza o frevo e prefere o carnaval multicultural, o qual é instituído pela prefeitura do Recife.

Algumas curiosidades da pesquisa: Alceu Valença é o cantor pernambucano de frevo mais lembrado pelos pernambucanos – 39,8% dos entrevistados citam Alceu Valença como cantor de frevo. Contudo, Valença não é um artista que canta exclusivamente frevo. Ressalto que Claudionor Germano foi citado por 8,7% dos entrevistados.

Por fim, saliento que 78,2% dos entrevistados desejam o retorno do Recifolia. Eu também sou favorável ao retorno deste importante evento para o turismo de Pernambuco, desde que num lugar apropriado onde não possa perturbar os moradores locais, como ocorre em Natal. Reconheço que o poder público e a iniciava privada têm condições de realizarem o Recifolia. Isto foi comprovado neste último Carnaval!

Publicado por Janguie Diniz em março 10, 2010

Carta de Agradecimento à Faculdade de Direito do Recife

Em 1983, no imponente prédio da Faculdade de Direito do Recife, finquei a pedra fundamental para a construção de um sonho, quando me matriculei no curso jurídico da respeitada instituição. Por aqueles corredores tracei minha trajetória profissional, ao concluir minha graduação, mestrado e doutorado e, em 1990, ingressar na docência através de concurso público. Hoje, 27 anos depois, tomo uma das mais difíceis decisões de minha vida: deixar a Casa de Tobias. Neste dia 05 de março de 2010 apresentei meu pedido de exoneração do cargo de professor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco ao Magnífico Reitor Amaro Lins.

Durante um período, através de liminar confirmada por sentença da Justiça Federal, consegui a licença sem remuneração, na esperança de reorganizar minha agenda para conciliar as responsabilidades empresariais com o ofício de professor. Mas optei pelo caminho do empreendedorismo e as escolhas implicam em renúncias. Não pretendo mais manter minha função por meio da judicialização. Com isso abro espaço para a renovação da banca pelos mais jovens. Apesar na minha inegável tristeza por virar a página deste importante capítulo da minha história, deixo a instituição com uma profunda gratidão por tudo o que ali conquistei, e futuramente pretendo voltar, por meio de um novo concurso público, para poder retribuir por toda a bagagem intelectual que a Casa me proporcionou.

Meus agradecimentos aos professores e amigos João Maurício Adeodato, Ivanildo Figueiredo, George Browne, Alexandre Pimentel, Clóvis Correia, Sérgio Torres, Zélio Furtado, Raimundo Juliano e Ivo Dantas, aos reitores Efrém Maranhão, Mozart Neves e Amaro Lins, às funcionárias Valéria, Ricarda, Josi e Ana Paula, e especialmente a todos os meus ex-alunos que transformaram, durante estes 20 anos, o exercício da docência em uma experiência de aprendizagem recíproca e colaborativa.

Hoje eu deixo a Faculdade, mas ela sempre estará em mim, com seu fervor cultural, sua capacidade de germinar ideias, sua agitação criadora. Muito me orgulho de ser filho deste importante marco intelectual da história de nosso Brasil.

Publicado por Janguie Diniz em março 5, 2010

Responsabilidade Social Empresarial e o Greenwashing

A responsabilidade social empresarial virou uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais brasileiros. Governos, ativistas e meios de comunicação hoje cobram de empresas a responsabilidade pelas consequências sociais de suas atividades.

Várias empresas estão repensando sua postura ética frente à sociedade. Um novo pensar e agir no âmbito empresarial, dando uma conotação cidadã aos negócios. (mais…)

Publicado por Janguie Diniz em março 2, 2010

Apagão profissional no País

Temos presenciado e participado, desde os anos 90, das transformações estruturais que configuram a globalização econômica. Tanto as mudanças como as crises que enfrentamos nesses últimos anos têm gerado rupturas nas formas tradicionais. Da explosão tecnológica à crise financeira dos últimos anos, não faltaram motivos que nos tirassem de nossa zona de conforto. Muita água rolou debaixo de nossa ponte, e as mudanças foram significativas. Mudamos nossa visão, nossas ofertas, nossos modelos de trabalho, nossas exigências e expectativas. Espelham este novo cenário a crescente integração, a multiplicidade e multiplicação de produtos e de serviços, a tendência à conglomeração e alianças estratégicas entre empresas que buscam avidamente competitividade através do uso das tecnologias informacionais e de novas formas de gestão do trabalho.

Mas, já há algum tempo, os especialistas vêm alertando para um “apagão” profissional no País. Após um longo período de inanição, deitado em berço esplendido, o Brasil voltou a crescer e a enfrentar a carência de mão de obra qualificada em quase todos os setores produtivos. O motivo é o descompasso entre o crescimento da economia, as exigências de maior qualificação devido aos avanços tecnológicos e o descaso histórico com a educação.

Apesar do estrago causado pela crise global na geração de empregos formais em 2009, a oferta de vagas foi a maior da década. No mercado de trabalho para profissionais com nível superior, a falta de candidatos com especialização foi mais crítica ainda. A sobra de vagas nos principais setores produtivos está diretamente relacionada à retomada da economia. Como exemplo, podemos citar o setor da construção civil que, pelo fraco desempenho até 2003, desencorajou a formação profissional. Estudos realizados pela indústria apontam para um aumento do desequilíbrio entre oferta e procura por mão de obra qualificada até 2014, exigindo a formação profissional de cerca de três milhões de trabalhadores por ano para atender a demanda do setor.

O mercado de trabalho chega a 2010 precisando vencer um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento: falta de pessoal qualificado. E com um agravante, o gargalo de mão de obra agora se espalha por profissões que atendem a diferentes setores, de engenheiros a educadores e médicos. Não que faltem candidatos interessados em oportunidades abertas pela retomada de investimentos e a chegada de novos players internacionais. Mas, em um mercado que se expande e se transforma simultaneamente, o desafio tem sido encontrar perfis adequados para dar conta das novas necessidades.

O novo mercado exige, cada vez mais, o desempenho do trabalho em equipe, fundamentado em planejamento, pensamento estratégico, visão de negócio e, sobretudo, capacidade de articulação de múltiplas disciplinas. Neste novo contexto, não se trata apenas de integrar disciplinas e conhecimento – são os profissionais que, em última instância, precisam aprender a trabalhar integrados. Em decorrência, as competências comportamentais, como abertura ao aprendizado, resiliência e capacidade relacional, passam a valer tanto, ou até mais, do que as qualificações técnicas e tornam-se um ativo e um diferencial competitivo valioso.

É por isso que atrair, desenvolver e reter talentos é um fator crítico de sucesso para as empresas modernas, onde a gestão profissional de pessoas tem priorizado profissionais que somam competências técnicas e comportamentais, com alinhamento ao projeto da empresa e compromisso com meta. Tanto é que, diante das dificuldades em conseguir profissionais qualificados no mercado, algumas empresas estão buscando talentos dentro das faculdades e universidades. São empresas que acreditam que as mudanças e transformações irão se acelerar. São empresas que lideraram essa década, e que em comum têm a capacidade de transformação e adaptação às novas exigências de mercado.

O mundo mudou. O Brasil mudou para melhor. Enterramos o espectro inflacionário, nossa economia resistiu à crise que abalou a maioria dos países desenvolvidos e a taxa de escolaridade média avançou bastante. Ainda não é a ideal, mas duplicamos o número de pessoas com mais de oito anos de escolaridade e diminuiu pela metade o número de analfabetos. Esse “apagão” profissional no País não será resolvido da noite para o dia, mas o povo brasileiro, mais uma vez, com sua incrível capacidade de adaptação irá, aos poucos, capacitar-se para as novas exigências da mundialização dos mercados.

Publicado por Janguie Diniz em


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