Perfil

Nasceu em 21 de março de 1964, em uma pequena cidade do sertão da Paraíba. Aos cinco anos, seus pais se mudam para Mato Grosso e, depois, para Rondônia.(...)
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Vale a pena

Arquivo de maio de 2010

Lula, o diplomata

Desde o início do seu primeiro mandato, o presidente Lula escolheu dois caminhos: ser reconhecido como o presidente da República que mais se preocupou com o social; e ser célebre como um homem de diálogo, que busca a conciliação e é contrário a conflitos. Constatamos que Lula conseguiu seu desiderato.

A ampliação do Bolsa Família, o Programa Universidade para Todos (Prouni), a recuperação do salário mínimo e a ampliação da oferta de crédito através de bancos públicos foram ações meritórias do governo Lula, as quais consagraram uma marca social para o seu governo. Nesse contexto, ressaltamos que a aprovação do governo Lula foi motivada por dois aspectos fundamentais: bem-estar econômico do brasileiro e ações sociais.

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As crises do capitalismo

A relação entre Estado e mercado acompanha o movimento pendular. E sendo móvel, o pêndulo leva o mercado a extremos confortáveis, mas também a crises: o Lehman Brothers, o Citigroup , o Wells Fargo e o Bank of America são instituições que sentiram o peso esmagador desse antigo instrumento que já parou aos olhos curiosos de Newton, de Foucault e, agora, impõe economistas e gestores a levarem os olhos aos dois extremos, ou seja, Estado e mercado. A imposição se dá porque as más consequências são sistêmicas.

Em agosto de 2007 , os resgates em fundos foram congelados pelo BNP Paribas Investment Partner. Temos o fósforo aceso da crise econômica mundial. Outros congelamentos se deram por outras mãos no mercado. A American Home Mortgage, uma das maiores empresas de hipoteca dos Estados Unidos, pede concordata. Outras empresas e também bancos começaram a comprar empresas de crédito imobiliários. Volta o mês de agosto, ano 2008, levando ao mundo o pedido de concordata do Lehman Brother. E, com eles, outros seguem com seus pedidos. O peso do pêndulo vai fazendo estragos enormes. Neste momento, arranca um grande pedaço do PIB americano: redução de 3,8% no último trimestre de 2008. Surgem medidas para os reparos. Precisa-se estancar a hemorragia financeira: temos um pacote de ajuda no valor de US$ 700 bilhões. Entram na fila – para receberem os cuidados econômicos – bancos, montadoras de automóveis, empresas de créditos. Do outro lado da praça, há outra fila: a dos desempregados. A taxa de desemprego em dezembro de 2008 chegou a 7,2%. Trata-se da pior crise, desde 1993. É necessário outro pacote. Este para infra-estrutura e para gerar emprego: US$ 800 bilhões. É a participação oportuna de Estados no mercado. Surgem previsões otimistas. O boletim mais otimista garante melhoras dos enfermos já em final de 2009 e início de 2010. Os da fila, neste ano, já andam embora assustados com a possibilidade de nova epidemia. Hoje, há confiança maior. Parece-nos mais estáveis as previsões de mercado. Estado e mercado, as duas extremidades do Mundo.

Mas o pêndulo continua com seu regular passo bifurcado. Recentemente, a Grécia sofreu uma queda. Daquelas que precisa de amparo para se erguer. E, com isso, a moeda comum europeia perdeu um pouco a credibilidade do olhar europeu. A Europa há um bom tempo não dorme. Com os olhos presos à janela, essa vigília enorme vem tirando o sossego de todos. Recentemente, todos assistiram aos primeiros socorros à caída Atenas. Mais de 100 milhões de euros é o valor injetado em suas veias gota a gota ( durante três anos ). O suficiente para sentir as pernas e ouvir da boca de seu Primeiro Ministro (George Papandreou), a necessidade de “grandes sacrifícios” de seu povo, mas que são “necessários” para evitar a “falência” do país.

A Grécia de Péricles, líder grego, tinha voz sólida e poderosa. Seu maior inimigo, Esparta. Surpreendido pela deflagração da peste, em 430 a.C., matando cerca de um terço da população, cai ao chão Péricles. Àquela época, Péricles morto ao chão. Em 2010, d.C., Atenas ao chão. Quem ergue, segundo o acordo com o FMI e com a União Europeia, Atenas? O Estado. Ou melhor, Estados. Estados erguendo um Estado. Não apenas o Mundo deseja as colunas gregas em pé, mas sobretudo a União Europeia. Precisa-se socorrer a Grécia. O Péricles de hoje precisa levantado. Outra epidemia, não. `Para a pressão arterial do novo Péricles se normalizar, é necessária uma redução significativa em seu déficit público ( 13,6% do PIB ). Haverá, entre outras medidas, a supressão dos bônus dos funcionários e dos pensionistas do setor público e aumento do tempo de aposentadoria. Mas as colunas gregas estão sendo postas de pé. Os Estados, portanto, confiando na gestão pública do enfermo e O Estado, que se ergue, convicto da ajuda vinda por pernas e braços gregos.

Eis o papel indispensável do Estado no mercado. A União Europeia e o FMI ofertaram créditos, financiaram dívidas de bancos e reduziram impostos. Na recente crise da Grécia, apesar da relutância da Alemanha, a Comunidade Europeia precisou intervir para garantir a sobrevivência do capitalismo na Europa e no resto do Mundo. Ficaram as cicatrizes, mas não a morte. A epidemia não se concretizou. .

Importa registrar que as crises do capitalismo têm origens localizadas. Porém, as suas consequências são globalizadas em razão da globalização da economia e da interdependência dos mercados. Os países das Américas, certamente, caso não ocorressem o socorro da Comunidade Europeia, sofreriam consequências advindas da crise localizada na Grécia .

Saliento, contudo, que as crises econômicas, típicas do capitalismo, não são de responsabilidade apenas do capitalismo. Os Estados também devem ser responsabilizados. Estados que possuem alto déficit público, arrecadando menos do que gastam com a máquina pública, tendem a sofrer com as crises econômicas. Por fim, enfatizo que diante das crises do capitalismo, os Estados precisam estar preparados para enfrentá-las e superá-las. Oferta de crédito, redução de impostos e investimentos em infra-estrutura são bons remédios para superar as crises do capitalismo. E não tiremos os olhos do pêndulo.

À esquerda, o mercado; à direita, o Estado. No meio, o ponto fixo do pêndulo. Em volta, os Estados. À esquerda, o Estado; à direita, o mercado. No centro, o ponto fixo do pêndulo. O único ponto estável: as oscilações naturais e consequentes de todo esse ambiente econômico e político. Neste momento, é o ombro grego que sente a pressão dessa macroestrutura. E os olhos de Karl Marx, pra lá e pra cá, sem discórdia a tudo isso, mas com inteligente percepção, acompanham todo esse movimento contínuo.

O Brasil e a Copa 2014

O fim da inflação, através do Plano Real, possibilitou o desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira. A Lei de Responsabilidade Fiscal permitiu que o planejamento responsável fizesse parte do cotidiano dos gestores públicos. As privatizações e o desempenho de diversas empresas nacionais fizeram com que o setor produtivo de múltiplos países olhasse com bons olhos para a economia brasileira. A criação e a expansão de políticas públicas de inclusão, como o Bolsa Família e o Prouni, transformaram, em parte, a paisagem social brasileira.

O Brasil, considerando aspectos econômicos e sociais, não é o mesmo de 20 anos atrás. O Brasil é um país que hoje tem condições de dialogar com as potências econômicas de igual por igual, pois as transformações ocorridas nestes últimos 20 anos permitiram isto. FHC e Lula, sujeitos principais das transformações da sociedade brasileira, são reconhecidos internacionalmente. Temos um amplo mercado consumidor. A mobilidade social está presente no Brasil. A sua intensidade nestes últimos anos nos faz acreditar que o Brasil tem condições de ser uma grande potência econômica mundial.

Contudo, aprendi que resposanbilidades não devem ser assumidas, quando não temos condições de cumpri-las. Mas se a responsabilidade é assumida, metas devem ser estipuladas, as quais necessitam ser cumpridas. Quando o Brasil decidiu concorrer com outros países para adquirir o direito de realizar a Copa do Mundo, ele estava assumindo uma responsabilidade não só com a FIFA. Mas com milhões de pessoas, residentes em vários países, que amam o futebol.

As notícias de que o Brasil pode perder o direito de sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014 não foram surpreendentes para mim. Quando o Brasil foi escolhido pela FIFA, fiquei feliz. Entretanto, após a euforia, a preocupação passou a tomar conta de mim. Tenho motivos para tal. Infelizmente, o Estado brasileiro não funciona de modo eficiente e ainda, por vezes, impõe dificuldades para a expansão do setor produtivo.

Ao Estado brasileiro não falta apenas eficiência. Falta eficácia, definições, prioridades. O Brasil, antes de propor a sua candidatura à FIFA, deveria ter avaliado, com sinceridade, a eficácia do Estado brasileiro. E se a copa do Mundo deveria figurar entre as prioridades do orçamento. Estas avaliações não ocorreram. Em razão disto, a imprensa e a FIFA colocam em dúvida a capacidade do Brasil em sediar a Copa do Mundo. Isto é lamentável!

Os estados que serão possivelmente sedes da Copa do Mundo e o Governo Federal precisam tomar uma decisão. Ofertar recursos financeiros para a construção de estádios de futebol não é suficiente para o sucesso da Copa do Mundo de 2014. Têm que oferecer infra-estrutura, aeroportos, hotéis, transporte e segurança. A máquina estatal brasileira precisa ser eficiente. Devem ser dadas condições para a iniciativa privada contribuir para o sucesso da Copa. O Brasil, após tantas conquistas, precisa continuar a ser exemplo positivo para o mundo.