Carta de Agradecimento à Faculdade de Direito do Recife

Em 1983, no imponente prédio da Faculdade de Direito do Recife, finquei a pedra fundamental para a construção de um sonho, quando me matriculei no curso jurídico da respeitada instituição. Por aqueles corredores tracei minha trajetória profissional, ao concluir minha graduação, mestrado e doutorado e, em 1990, ingressar na docência através de concurso público. Hoje, 27 anos depois, tomo uma das mais difíceis decisões de minha vida: deixar a Casa de Tobias. Neste dia 05 de março de 2010 apresentei meu pedido de exoneração do cargo de professor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco ao Magnífico Reitor Amaro Lins.

Durante um período, através de liminar confirmada por sentença da Justiça Federal, consegui a licença sem remuneração, na esperança de reorganizar minha agenda para conciliar as responsabilidades empresariais com o ofício de professor. Mas optei pelo caminho do empreendedorismo e as escolhas implicam em renúncias. Não pretendo mais manter minha função por meio da judicialização. Com isso abro espaço para a renovação da banca pelos mais jovens. Apesar na minha inegável tristeza por virar a página deste importante capítulo da minha história, deixo a instituição com uma profunda gratidão por tudo o que ali conquistei, e futuramente pretendo voltar, por meio de um novo concurso público, para poder retribuir por toda a bagagem intelectual que a Casa me proporcionou.

Meus agradecimentos aos professores e amigos João Maurício Adeodato, Ivanildo Figueiredo, George Browne, Alexandre Pimentel, Clóvis Correia, Sérgio Torres, Zélio Furtado, Raimundo Juliano e Ivo Dantas, aos reitores Efrém Maranhão, Mozart Neves e Amaro Lins, às funcionárias Valéria, Ricarda, Josi e Ana Paula, e especialmente a todos os meus ex-alunos que transformaram, durante estes 20 anos, o exercício da docência em uma experiência de aprendizagem recíproca e colaborativa.

Hoje eu deixo a Faculdade, mas ela sempre estará em mim, com seu fervor cultural, sua capacidade de germinar ideias, sua agitação criadora. Muito me orgulho de ser filho deste importante marco intelectual da história de nosso Brasil.

Publicado por Janguie Diniz em março 5, 2010

Responsabilidade Social Empresarial e o Greenwashing

A responsabilidade social empresarial virou uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais brasileiros. Governos, ativistas e meios de comunicação hoje cobram de empresas a responsabilidade pelas consequências sociais de suas atividades.

Várias empresas estão repensando sua postura ética frente à sociedade. Um novo pensar e agir no âmbito empresarial, dando uma conotação cidadã aos negócios. (mais…)

Publicado por Janguie Diniz em março 2, 2010

Apagão profissional no País

Temos presenciado e participado, desde os anos 90, das transformações estruturais que configuram a globalização econômica. Tanto as mudanças como as crises que enfrentamos nesses últimos anos têm gerado rupturas nas formas tradicionais. Da explosão tecnológica à crise financeira dos últimos anos, não faltaram motivos que nos tirassem de nossa zona de conforto. Muita água rolou debaixo de nossa ponte, e as mudanças foram significativas. Mudamos nossa visão, nossas ofertas, nossos modelos de trabalho, nossas exigências e expectativas. Espelham este novo cenário a crescente integração, a multiplicidade e multiplicação de produtos e de serviços, a tendência à conglomeração e alianças estratégicas entre empresas que buscam avidamente competitividade através do uso das tecnologias informacionais e de novas formas de gestão do trabalho.

Mas, já há algum tempo, os especialistas vêm alertando para um “apagão” profissional no País. Após um longo período de inanição, deitado em berço esplendido, o Brasil voltou a crescer e a enfrentar a carência de mão de obra qualificada em quase todos os setores produtivos. O motivo é o descompasso entre o crescimento da economia, as exigências de maior qualificação devido aos avanços tecnológicos e o descaso histórico com a educação.

Apesar do estrago causado pela crise global na geração de empregos formais em 2009, a oferta de vagas foi a maior da década. No mercado de trabalho para profissionais com nível superior, a falta de candidatos com especialização foi mais crítica ainda. A sobra de vagas nos principais setores produtivos está diretamente relacionada à retomada da economia. Como exemplo, podemos citar o setor da construção civil que, pelo fraco desempenho até 2003, desencorajou a formação profissional. Estudos realizados pela indústria apontam para um aumento do desequilíbrio entre oferta e procura por mão de obra qualificada até 2014, exigindo a formação profissional de cerca de três milhões de trabalhadores por ano para atender a demanda do setor.

O mercado de trabalho chega a 2010 precisando vencer um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento: falta de pessoal qualificado. E com um agravante, o gargalo de mão de obra agora se espalha por profissões que atendem a diferentes setores, de engenheiros a educadores e médicos. Não que faltem candidatos interessados em oportunidades abertas pela retomada de investimentos e a chegada de novos players internacionais. Mas, em um mercado que se expande e se transforma simultaneamente, o desafio tem sido encontrar perfis adequados para dar conta das novas necessidades.

O novo mercado exige, cada vez mais, o desempenho do trabalho em equipe, fundamentado em planejamento, pensamento estratégico, visão de negócio e, sobretudo, capacidade de articulação de múltiplas disciplinas. Neste novo contexto, não se trata apenas de integrar disciplinas e conhecimento – são os profissionais que, em última instância, precisam aprender a trabalhar integrados. Em decorrência, as competências comportamentais, como abertura ao aprendizado, resiliência e capacidade relacional, passam a valer tanto, ou até mais, do que as qualificações técnicas e tornam-se um ativo e um diferencial competitivo valioso.

É por isso que atrair, desenvolver e reter talentos é um fator crítico de sucesso para as empresas modernas, onde a gestão profissional de pessoas tem priorizado profissionais que somam competências técnicas e comportamentais, com alinhamento ao projeto da empresa e compromisso com meta. Tanto é que, diante das dificuldades em conseguir profissionais qualificados no mercado, algumas empresas estão buscando talentos dentro das faculdades e universidades. São empresas que acreditam que as mudanças e transformações irão se acelerar. São empresas que lideraram essa década, e que em comum têm a capacidade de transformação e adaptação às novas exigências de mercado.

O mundo mudou. O Brasil mudou para melhor. Enterramos o espectro inflacionário, nossa economia resistiu à crise que abalou a maioria dos países desenvolvidos e a taxa de escolaridade média avançou bastante. Ainda não é a ideal, mas duplicamos o número de pessoas com mais de oito anos de escolaridade e diminuiu pela metade o número de analfabetos. Esse “apagão” profissional no País não será resolvido da noite para o dia, mas o povo brasileiro, mais uma vez, com sua incrível capacidade de adaptação irá, aos poucos, capacitar-se para as novas exigências da mundialização dos mercados.

Publicado por Janguie Diniz em

Qual Estado desejamos?

O discurso da candidata Dilma Rousseff no encontro do PT traz a sugestão, dentre outras, de que o Estado precisa ser fortalecido. Fortalecido de que forma? Fortalecer o Estado não significa torná-lo mais eficiente. Mas torná-lo eficiente significa fazê-lo fortalecido. O Brasil precisa de um Estado eficiente no provimento de bens e serviços públicos.

Não se deve confundir Estado eficiente com Estado inchado. E estado eficiente com estatização ou reestatização. O Estado inchado é aquele com um grande número de servidores públicos e de cargos comissionados. Mas que não é necessariamente eficiente. Quantidade de funcionários públicos não representa maior eficiência estatal. É importante salientar que mais funcionários públicos, maior a despesa corrente e permanente do Estado.

De 2003 até 2009, o governo Lula contratou cerca de 57 mil servidores públicos. Mais de 29 mil para a área de educação. Em alguns setores, certamente, existia a necessidade. Mas, indago: as contratações tornaram o Estado eficiente? O que deve ser ponderado consiste se as contratações eram realmente necessárias para os setores contemplados. Outro ponto: como frisei, contratações de servidores públicos criam despesas permanentes. Portanto, é necessário discutir a eficiência do Estado em longo prazo.

O Estado tem que ter despesas correntes com servidores. Estes precisam ser bem remunerados. Contudo, não se deve desprezar a necessidade do Estado brasileiro em adquirir maior capacidade de investimento, principalmente em áreas vitais, quais sejam: educação básica, segurança pública e infraestrutura.

Em 2007, 1,7 milhão de vagas nas agências públicas de emprego não foram oferecidas (Folha de São Paulo, 14/02/2010). Diversos estudantes não têm acesso ao ensino superior em razão da deficiência no ensino básico. Portanto, o Brasil do futuro precisa investir com eficiência na educação básica e buscar a qualificação da mão de obra. Como um país pode crescer economicamente sem indivíduos qualificados?

Apagão logístico impede avanço do agronegócio no Nordeste (Folha de São Paulo, 07/02/2010). O agronegócio, em particular a produção de soja, contribui para o equilíbrio da balança comercial brasileira. Mas, em curto prazo, esta contribuição poderá deixar de existir, caso não ocorra forte investimento em áreas portuárias. A precária infraestrutura impossibilita o crescimento do país.

Neste sentido, o estado precisa dar a sua contribuição. Bancos públicos devem ser utilizados, em particular o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e a Caixa Econômica Federal. Este último deve priorizar o financiamento habitacional. Isenções tributárias precisam ser concedidas a empresas que desejem investir em infraestrututa e também em educação – o PROUNI é um exemplo de programa educacional bem sucedido. Parceria público-privada deve ser incentivada.

O Brasil não deve retroceder. Empresas que foram privatizadas precisam continuar como tal. Observem a contribuição que as privatizações do sistema de telefonia e da Vale do Rio Doce trouxeram para a economia brasileira. A reestatização de empresas não é assunto que precisa ser tratado no Brasil. Quanto às novas privatizações, não vejo também a necessidade delas. O que é necessário, contudo, é que as atuais empresas estatais não sejam usadas politicamente. Com efeito, a prioridade do novo presidente brasileiro é tornar o Estado eficiente. É fazê-lo com que ele seja reconhecido pela a população como imprescindível e não como estorvo.

Publicado por Janguie Diniz em fevereiro 26, 2010


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