Perfil

Nasceu em 21 de março de 1964, em uma pequena cidade do sertão da Paraíba. Aos cinco anos, seus pais se mudam para Mato Grosso e, depois, para Rondônia.(...)
Saiba mais.

Vale a pena

Arquivo de fevereiro de 2009

Investir em pesquisa: solução para crise

Barack Obama, Washington, 20 de janeiro de 2009: “Vamos restaurar a ciência a seu lugar de direito e empregar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade da saúde e reduzir seus custos. Vamos atrelar o sol, os ventos e o solo para proverem combustível para nossos carros e nossas fábricas. E vamos transformar nossas escolas, nossas faculdades e universidades para que façam frente às demandas de uma nova era”.

Enquanto no seu discurso de posse o presidente norte-americano destacou a importância dos investimentos em pesquisas cientificas para driblar a crise econômica, o Brasil segue na contramão. O Congresso Nacional aprovou um corte de 18% no orçamento para Ciência e Tecnologia para 2009, o que equivale a uma redução de R$ 1,1 bilhões. Os reflexos poderão ser desastrosos, com a desaceleração da produtividade e consequente estagnação econômica e social. Por falta de investimentos em inovação, na busca de soluções eficazes, nossas empresas, sobretudo no setor industrial, perdem competitividade no mercado globalizado.

Outros fatos confirmam a descaso do país na área de pesquisa. O Brasil ficou na dianteira no mais recente relatório divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi), ocupando a 21ª posição no pedido de patentes internacionais, atrás da China, Índia e Coréia do Sul. Em 2007, o país registrou 118 patentes nos Estados Unidos. Já a Coréia do Sul, o emergente mais bem colocado no ranking, contabilizou 7.264 registros naquele ano.

A USP, maior universidade brasileira, a produção cientifica vem declinando. Segundo o anuário estatístico da instituição, de 2003 a 2007, a média de trabalho por docente caiu 30,4%, enquanto o número de alunos subiu 27,7%. O CNPq, que concede bolsas a pesquisadores doutores de universidades e centros de pesquisas, teve aprovado pelo Congresso uma verba de R$ 45 milhões, 77% menor do que o previsto pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Com a falta de investimento na qualificação docente, a meta do governo federal em ampliar o número de vagas nas universidades poderá ter como consequência a perda de qualidade nestas instituições.

Ao tímido investimento em pesquisa e qualificação de mão-de-obra, soma-se a falta de envolvimento do setor privado, que não absolve nosso contingente de pesquisadores, que acabam migrando para países desenvolvidos. O estado investe cerca de 25 mil dólares per capita na formação acadêmica destes profissionais que servirão a outras nações. De acordo com dados do Centro Latinoamericano de Demografia, cerca de 1,2 milhões de pesquisadores latinos emigraram entre 1961 e 2002.

Sem oportunidades nas empresas, os cientistas que permanecem no Brasil têm sua atuação limitada às universidades, criando uma demanda de investimentos de órgãos públicos para o financiamento das bolsas. Esta dependência financeira em relação ao governo, somado aos baixos salários e à falta de equipamentos e insumos para pesquisa, nos insere numa posição nada competitiva.