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Carnaval: festa e impulso na economia local

O carnaval no Nordeste, especialmente em Pernambuco, não é apenas um período de festas. A economia pernambucana neste período fica bastante aquecida pela quantidade de turistas que visitam o Estado, além do crescimento do comércio local. A diversidade de ritmos e festas que envolvem o carnaval pernambucano, mundialmente conhecido pelas festas de rua que arrastam milhares de pessoas, ao som de orquestras de frevo e acompanhadas de passistas, começam bem antes da semana oficial do reinado de momo.
São inúmeros os bailes a fantasias pré-carnavalescos que contribuem com o comércio das lojas de fantasias e acessórios locais. Alguns lojistas do ramo estão aproveitando o bom momento da economia nacional para investir na exportação desses produtos para países como os Estados Unidos, que adquirem fantasias para as festas de Halloween, em outubro.
De acordo com dados divulgados pela Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), em 2010, o carnaval gerou uma receita de R$ 370 milhões de reais, com cerca de 800 mil visitantes no estado. Em 2011, a rentabilidade aumentou em 54%, atingindo R$ 570 milhões deixados por cerca de um milhão de visitantes, um registro de 96% de ocupação da rede hoteleira. Os resultados também foram positivos em todos os pólos do Estado. Bezerros, com os tradicionais Papangús, Águas Belas, Nazaré da Mata e Vitória de Santo Antão registraram 100% de ocupação nos hotéis.
O Galo da Madrugada, considerado o maior bloco de carnaval do mundo, aparece como um grande motivador para atração de visitantes. Entre os principais emissores de turistas, 14,5% são do próprio estado, 40,9% do Nordeste, 38,6% do restante do Brasil e 6% são de origem internacional, principalmente dos Estados Unidos, Itália, França e Argentina.
O Governo do Estado de Pernambuco está investindo no carnaval 2012 um total de R$ 20 milhões, mesmo valor que o ano passado, porém abrangendo mais cidades do interior. A expectativa é de um carnaval maior e mais democrático, com aumento entre 8% e 10% no número de turistas no estado.
A Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL) também acredita que o comércio apresentará uma expansão de 6% nas vendas de carnaval deste ano. Considerando que as festas de momo pernambucanas tem aprovação de mais de 95% dos foliões que comparecem ao estado e que pesquisas feitas pela Empetur revelam que 82% dos entrevistados tem intenção de voltar no carnaval seguinte, o carnaval deve continuar sendo uma oportunidade de divulgação da nossa cultura e qualidade das nossas produções.
Apesar de todos os dados positivos, não podemos negar que ainda há muito que melhorar no carnaval de Pernambuco. Precisamos aumentar o número de oferta na rede hoteleira, melhorar a qualidade do transportes públicos para atender não apenas os foliões e investir na segurança, para continuarmos sendo referência como um dos melhores carnavais do mundo e para que cada ano nossas festas atraiam muito mais turistas e rendimentos para o Estado.

Capitalismo e democracia

É no capitalismo que a democracia liberal se desenvolve, sendo o trabalho onipresente – descrição comum em nossos dias. Portanto, as pessoas se lançam a atividades produtivas para o consumo. Mas a exigência do exercício da liberdade individual das pessoas, ou seja, a livre iniciativa acautela a intervenção do Estado no dia a dia dos indivíduos e fragiliza vozes absolutistas que tentam gritar ainda “O Estado sou eu”.

A sociedade é conduzida – e cada indivíduo, sobretudo – a uma correria sem fim, “da qual não mais são senhores e da qual a produção é a manifestação mais evidente”, diz-nos o sociólogo francês Michel Maffesoli. Mas os indivíduos vão com pés acomodados em confortáveis sapatos que não deixam calos e não lhes roubam o prazer do consumo em acelerados meses do ano.

A democracia, inicialmente, tinha como característica fundamental a prática da participação popular. Sendo, agora, a liberdade sua bandeira, a democracia provocou a expansão comercial na Europa no século XIV, possibilitando a origem de estados modernos e o fim de regimes ditatoriais. Mais adiante, surgiu a democracia liberal. Não nos esqueçamos de que liberdade de pensamento e livre discussão são valores últimos do liberalismo. E a democracia liberal teve como hóspede o capitalismo. É no capitalismo que a democracia liberal se desenvolve.

E com essa liberdade as instituições existentes puderam ser julgadas durante os anos que se sucederam. Revisadas e modificadas, legitimam costumes e valores novos. O tempo dos ponteiros do relógio se foi. Obsoletos objetos ainda há, mas na mão de colecionadores. Estácio, por exemplo, traz alguns protegidos sob seis ou setes panos, em caixas de aroeira e de cerejeira. A ideia de De Masi (ócio criativo) foi seu grande equívoco. O trabalho é o significante maior, manifestando constantemente a presença do homem. Onipresente, de fato, o trabalho. E, com isso, tudo o mais se renova em sociedade.

Capitalismo e democracia, caro leitor e atenta leitora, são compatíveis? Embora as variadas crises do capitalismo estejam levando diversos intelectuais e políticos a afirmarem que o capitalismo não contribui para o fortalecimento da democracia, essas asseverações são incorretas. Crises capitalistas ocorrem e continuarão a ocorrer, pois elas fazem parte da dinâmica desse sistema. Por outro lado, como bem demonstra a história, essas crises são passageiras, em razão das ações do Estado.

Os indivíduos são peças que integram e fazem funcionar as dinâmicas do capitalismo e da democracia. Suas impressões digitais não negam isso. A essência da prática individual no capitalismo e na democracia é o exercício da liberdade. Quem, por alguma razão, desejar tornar completamente PRIVADA a existência humana, talvez esteja equivocado hoje. Mas, seguramente, a mais privada de todas as atividades humanas (a do trabalho) chegou expressivamente com o capitalismo, permitindo às pessoas privatividade de seus bens e, claro, em alguns casos, quando lhe for negada, permitindo a oportunidade de transformar sua propriedade em apropriação para seu próprio usufruto. Mas não lhe é tirado o gozo do capital, do consumo e do usufruto. Não ignorar a economia em campanhas políticas e em gestão pública é representação prudente e inteligente. Criatividade não combina com ócio. Democracia, também não.

Crescimento de Pernambuco chama atenção

Não é de hoje que Pernambuco vem se destacando nas pesquisas nacionais relacionadas ao crescimento econômico. Desta vez, nosso Estado é destaque pela geração de empregos com carteira assinada em 2011, como mostram os dados divulgados recentemente pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged.

Pernambuco gerou um total de 89.607, sendo 66.021 na Região Metropolitana do Recife, o que representou um aumento de 8,29% comparado ao ano de 2010. Essa expansão se deve ao aumento das vagas nos setores de serviços, construção civil – que vem aquecida há alguns anos devido ao grande número de empreendimentos na região-, comércio e indústria de transformação.

Nesse contexto, é auspicioso registrar que nosso Estado é o líder do desenvolvimento do Nordeste, com crescimento de renda, grandes investimentos públicos e privados, aumento do nível de educação e diminuição da violência, embora já estivemos no topo da lista dos mais violentos. O crescimento do Estado se deve, inicialmente, às obras estruturadoras como a Refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica de Suape, o Estaleiro Atlântico Sul, a construção da Transnordestina, a Siderúrgica de Suape e a Fiat. Juntas, essas obras estão trazendo um investimento de mais de R$ 40 bilhões para Pernambuco.

Ademais, importa assinalar que o Brasil registrou um total de quase 2 milhões de novos empregos em 2011. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foi o segundo melhor número da histórica do Caged, inferior apenas ao ano de 2010, quando foram registradas 2.543.177 vagas. A explicação para a queda está no aumento de juros e na adoção de medidas para segurar o crédito que foram objetivadas no ano passado.

Na média nacional, o setor de serviços foi que mais cresceu, chegando a contratar mais de 900.000 pessoas. Seguido pelo comércio, com pouco mais de 452.000 contratações; construção civil, com cerca de 222.000 vagas; e a indústria da transformação, com 215.472 empregados. Aqui em Pernambuco, Recife concentrou o maior número de vagas com 37.749, seguido por Ipojuca, que abriu 8.372 vagas, a maior parte delas voltada para a construção civil.

Ampliando o quadro de análise, se nos voltarmos para falar do além mar, temos quase 200 milhões de desempregados, segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), situação que se agravou ainda mais depois da crise com o Euro. E são os jovens que continuam entre os mais atingidos pelo desemprego.

Por fim, é particularmente alegre enfatizar que no Estado de Pernambuco, a expectativa para 2012 e 2013 é que o crescimento continue ocorrendo, mas, na nossa ótica, mister se faz pensar em formas de interiorizar esse crescimento e de levar desenvolvimento para o interior para que o estado cresça como um todo. As obras da transposição do Rio São Francisco e da Transnordestina são apenas alguns passos para essa descentralização.

Entretanto, sabemos que a descentralização não acontecerá de um dia para o outro, por esse motivo, é preciso investir cada vez mais em qualidade na educação para o interior, com oportunidades de cursos de capacitação e qualificação, além de estratégias para atrair investidores e grandes indústrias para o interior do Estado.

ZPE: desenvolvimento econômico e difusão tecnológica

As Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) são áreas delimitadas e destinadas à instalação de empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados no exterior, que gozam de incentivos tributários e cambiais, sendo consideradas zonas primárias para efeito de controle aduaneiro. Surgidas em 1959 na Irlanda, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro, atualmente existem 3.500 ZPE em 135 países, gerando cerca de 68 milhões de empregos diretos.

Pensadas como forma de atrair novos investimentos externos através do aumento das exportações, que devem atingir o mínimo de 80% do total da produção, as ZPEs contribuiriam para impulsionar o progresso tecnológico, diminuir os desequilíbrios regionais e reduzir a migração para o Sudeste do país, já que, inicialmente e preferencialmente, as zonas estariam situadas nas regiões Norte e Nordeste.

Décadas se passaram sem que nenhuma ZPE fosse criada no Brasil. Em 1988, Pernambuco recebeu autorização do governo federal (Decreto nº 97.407, de 22/12/1988) para implantar uma ZPE que chegou a ser licitada, mas o processo não seguiu em frente. Em 2010, o governo federal retomou o programa das ZPEs baseado numa nova legislação e com o propósito de incluí-las na atual política industrial de desenvolvimento do país.

Nessa perspectiva, importa assinalar que atualmente o Brasil conta com 23 Zonas de Processamento de Exportação autorizadas a funcionar. Dessas, seis estarão prontas para operar ainda em 2012. A ZPE de Senador Guiomard, no Acre, ficou pronta em 16 meses e entrará em operação ainda em janeiro deste ano, com investimentos de iniciativa privada de aproximadamente R$ 40 milhões vindos da empresa chinesa Universal Timber.

Em Pernambuco, a primeira ZPE será construída em Jaboatão dos Guararapes e será chamada de Cone Suape, devido à proximidade com o Complexo Industrial de Suape. Com investimento de R$ 1,4 bilhão em iniciativa pública e privada, a previsão é de abrigar mais de 90 empresas nos próximos cinco anos, contribuindo para o desenvolvimento industrial local nos segmentos de navindústria, navipeças, tecelagem, farmacoquímico e metalmecânico.

Entretanto, para que uma ZPE se concretize, e isso é válido para qualquer estado, mais do que visão de negócios, são essenciais itens como logística e gestão. Mais uma vez, os olhos do país se voltam para Pernambuco. Na análise de vários especialistas, a ZPE/Suape será uma das principais do Brasil: o estado vem crescendo mais que o país em termos de investimentos e aliado a isto, está a modelagem da parceria público-privada para gestão e a logística privilegiada, uma vez que se localizará no pólo logístico de Pernambuco.

Outrossim, países como Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan, Índia e China, que emprega 40 milhões de pessoas em ZPEs, apresentam projetos bem sucedidos de desenvolvimento voltados para exportação. Os Estados Unidos, por exemplo, tem 150 ZPEs em seu território, dados estes que nos levam a acreditar que estamos atrasados em relação ao mundo.

Por fim, importa registrar que a implantação das ZPEs no Brasil pode ser considerada a chance para muitas empresas investirem em qualificação de produtos e mão de obra, graças às facilidades fiscais, promovendo, assim, a competitividade e poder de comercialização. O Brasil precisa exportar mais e esta oportunidade pode estar nas Zonas de Processamento de Exportações, já que o país tem uma carga tributária alta frente a outros países.