Perfil

Nasceu em 21 de março de 1964, em uma pequena cidade do sertão da Paraíba. Aos cinco anos, seus pais se mudam para Mato Grosso e, depois, para Rondônia.(...)
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Arquivo de novembro de 2008

Responsabilidade social empresarial

Como foi enfatizado alhures, a responsabilidade social consiste na “responsabilidade que uma determinada pessoa ou organização social tem para com a sociedade” (Paulo Itacaramby (2006). Por seu lado, responsabilidade social empresarial consiste numa “nova forma de gestão empresarial, que envolve uma atitude estratégica focada em indicadores intangíveis como a ética e a qualidade das relações com todos os públicos: interno (funcionários, acionistas e investidores) e externo (clientes, comunidade, fornecedores, parceiros comerciais, governo, etc).

O conceito de responsabilidade social empresarial foi lançado no Fórum Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável em 1998, na Holanda. Aqui no Brasil, o movimento surgiu tendo como base uma série de iniciativas de movimentos empresariais, sendo fortalecido quando o Sociólogo Betinho lançou um modelo de balanço social com o intuito de estimular as empresas a divulgarem suas ações sociais.É que durante muito tempo, as empresas se preocupavam somente com a qualidade dos produtos, com o preço competitivo e a maximização do lucro. Nos dias atuais, a organização passou a ser responsável pelo desenvolvimento da comunidade e da sociedade onde está inserida, adotando ações que influenciem o bem-estar comum. Nesse sentido, a responsabilidade social empresarial surgiu como resgate da função social da empresa, cujo objetivo principal deve consistir em promover o desenvolvimento humano sustentável.

É alvissareiro ressaltar que a responsabilidade social empresarial vai muito mais além do aspecto meramente ambiental e se estende por outras áreas como a social, cultural, econômica, política, etc., obrigando as empresas a repensarem seu papel e a forma de conduzir seus negócios.

A responsabilidade social empresarial “valoriza a imagem institucional e a marca, contribuindo para uma maior lealdade de todos os públicos, principalmente dos consumidores, e uma maior capacidade de recrutar e reter talentos, flexibilidade e capacidade de adaptação e longevidade”. Não é à toa que nos dias atuais 60% dos consumidores brasileiros já punem empresas que não são socialmente responsáveis. Preferem produtos de empresas que não têm envolvimento em corrupção, que são transparentes nos seus negócios, que respeitam o meio ambiente e a comunidade. Além do mais, a maioria dos profissionais mais qualificados preferem trabalhar em empresas que valorizem a qualidade de vida de seus funcionários e respeitem seus direitos. Nesse contexto, já existem inúmeras certificações que consagram a atuação socialmente responsável das empresas. Ilustrativamente citamos: 1) ISO 14.000 (ênfase em ações ambientais); 2) AA1000 (ênfase na relação da empresa com seus stakeholders(depositários), SA8000 (enfatiza as relações trabalhistas, garantindo a não existência de ações anti-sociais ou discriminatórias, como trabalho infantil, escravo, etc.); 4) NBR16001 (leva em consideração um sistema de gestão de responsabilidade social empresarial, permitindo àorganização formular e implementar política e objetivos que levem em conta os requisitos legais, compromissos éticos e sua preocupação com a promoção da cidadania, desenvolvimento sustentável e a transparência das suas atividades). Registre-se que o sistema de gestão da responsabilidade social empresarial (RSE) está inexoravelmente vinculado à ética empresarial, que consiste na aplicação das normas e dos valores compartilhados pela sociedade no âmbito da organização. Nos tempos atuais, a empresa tem que ter uma preocupação constante com a ética, a transparência, a diversidade de aspectos sócio-culturais, econômicos e um maior respeito e garantia aos direitos humanos, como sendo indispensáveis na atuação responsável da empresa. A ética é um fator importante na garantia da competitividade das empresas, pois, “ter padrões éticos significa ter bons negócios em longo prazo”.

Responsabilidade Social Empresarial e seus públicos

Como dito noutro escrito, a responsabilidade social empresarial consiste numa “nova forma de gestão empresarial, que envolve uma atitude estratégica focada em indicadores intangíveis como a ética e a qualidade das relações com todos os públicos: interno (funcionários, acionistas e investidores) e externo (clientes, comunidade, fornecedores, governo, etc).

Uma empresa age de forma socialmente responsável em relação aos funcionários quando o faz desde o primeiro contato com eles. A partir da seleção que tem que ser transparente, na medida em que se oferece oportunidades a todos em igualdade de condições, independentemente de raça, cor, religião, sexo ou idade. E, posteriormente após a contratação, investindo em treinamento e desenvolvimento profissional, segurança no local de trabalho, estímulo à qualidade de vida, salários compatíveis com o mercado, com abertura e transparência para a comunicação em todos os níveis hierárquicos, preparando, inclusive, os seus funcionários para a aposentadoria.

Quanto aos investidores, esses – ao efetuarem suas aplicações financeiras – preocupam-se em fazê-lo em empresas sólidas, que respeitem o meio ambiente, as condições humanas e sociais de seus empregados, que sejam éticas e que zelem pela qualidade de suas relações com a comunidade.

No que pertine aos clientes e consumidores, ela está relacionada ao desenvolvimento de produtos e serviços confiáveis e de qualidade e que não provoquem danos à saúde dos indivíduos, haja vista que a dimensão social do consumo ressalta a questão da política de marketing e comunicação, devendo ter o caráter educativo de suas ações, não excedendo as expectativas do que é oferecido, e não provocando desconforto ou constrangimento ao consumidor, devendo informar corretamente os riscos potenciais dos produtos oferecidos.

No concernente à comunidade, esta ocorre quando a empresa respeita os valores, os costumes, as culturas e as crenças da comunidade local, envolvendo-se e fazendo investimentos em melhorias sociais na comunidade em que está inserido, mediante apoio material ou de serviços a projetos comunitários, disseminando os valores sociais. É importante que a empresa mantenha bons relacionamentos com as organizações civis atuantes na comunidade, trazendo benefícios para a comunidade como forma de justa contrapartida pelo impacto que ela cria.

Os fornecedores, por seu turno, são, de certa forma, uma extensão da empresa. Por isso, devem compartilhar dos mesmos valores da empresa, com posturas semelhantes. Nesse sentido, a escolha dos fornecedores deve basear-se em critérios claros, valorizando a livre concorrência e com transparência na cotação de preços, além de avaliar questões como condições de trabalho dos terceirizados e, principalmente, se não há caso de trabalho infantil na cadeia produtiva.

A responsabilidade social em relação ao governo implica não apenas em cumprir com as obrigações legais, como não sonegar impostos, oferecer condições de trabalho dignas, seguras e saudáveis, não ter práticas discriminatórias, respeitar a diversidade, mas, também promover outras ações que contribuam para boas relações com órgãos governamentais. Em época de campanhas políticas, as empresas devem ser transparentes e cuidadosas ao apoiar candidatos, que podem gerar desconfiança, evitando também pagamentos que visem a influenciar ou agilizar decisões governamentais.

Uma empresa ambientalmente responsável está sempre atenta às ações de manutenção e melhoria das condições ambientais, minimizando riscos e ações agressivas à natureza. Para isto, investe em tecnologias antipoluentes, recicla produtos, e o lixo gerado mantém relacionamento estreito com órgãos de fiscalização ambiental, limita o uso de recursos naturais e de descargas nocivas, constrói estações de tratamento de poluentes e é responsável pelo ciclo de vida de seus produtos.

*Doutor em Direito, Presidente do Grupo Universitário Maurício de Nassau.

janguie@mauricionassau.com.br