O Brasil e a Copa 2014

O fim da inflação, através do Plano Real, possibilitou o desenvolvimento socioeconômico da sociedade brasileira. A Lei de Responsabilidade Fiscal permitiu que o planejamento responsável fizesse parte do cotidiano dos gestores públicos. As privatizações e o desempenho de diversas empresas nacionais fizeram com que o setor produtivo de múltiplos países olhasse com bons olhos para a economia brasileira. A criação e a expansão de políticas públicas de inclusão, como o Bolsa Família e o Prouni, transformaram, em parte, a paisagem social brasileira.

O Brasil, considerando aspectos econômicos e sociais, não é o mesmo de 20 anos atrás. O Brasil é um país que hoje tem condições de dialogar com as potências econômicas de igual por igual, pois as transformações ocorridas nestes últimos 20 anos permitiram isto. FHC e Lula, sujeitos principais das transformações da sociedade brasileira, são reconhecidos internacionalmente. Temos um amplo mercado consumidor. A mobilidade social está presente no Brasil. A sua intensidade nestes últimos anos nos faz acreditar que o Brasil tem condições de ser uma grande potência econômica mundial.

Contudo, aprendi que resposanbilidades não devem ser assumidas, quando não temos condições de cumpri-las. Mas se a responsabilidade é assumida, metas devem ser estipuladas, as quais necessitam ser cumpridas. Quando o Brasil decidiu concorrer com outros países para adquirir o direito de realizar a Copa do Mundo, ele estava assumindo uma responsabilidade não só com a FIFA. Mas com milhões de pessoas, residentes em vários países, que amam o futebol.

As notícias de que o Brasil pode perder o direito de sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014 não foram surpreendentes para mim. Quando o Brasil foi escolhido pela FIFA, fiquei feliz. Entretanto, após a euforia, a preocupação passou a tomar conta de mim. Tenho motivos para tal. Infelizmente, o Estado brasileiro não funciona de modo eficiente e ainda, por vezes, impõe dificuldades para a expansão do setor produtivo.

Ao Estado brasileiro não falta apenas eficiência. Falta eficácia, definições, prioridades. O Brasil, antes de propor a sua candidatura à FIFA, deveria ter avaliado, com sinceridade, a eficácia do Estado brasileiro. E se a copa do Mundo deveria figurar entre as prioridades do orçamento. Estas avaliações não ocorreram. Em razão disto, a imprensa e a FIFA colocam em dúvida a capacidade do Brasil em sediar a Copa do Mundo. Isto é lamentável!

Os estados que serão possivelmente sedes da Copa do Mundo e o Governo Federal precisam tomar uma decisão. Ofertar recursos financeiros para a construção de estádios de futebol não é suficiente para o sucesso da Copa do Mundo de 2014. Têm que oferecer infra-estrutura, aeroportos, hotéis, transporte e segurança. A máquina estatal brasileira precisa ser eficiente. Devem ser dadas condições para a iniciativa privada contribuir para o sucesso da Copa. O Brasil, após tantas conquistas, precisa continuar a ser exemplo positivo para o mundo.

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