Arquivo de ‘Educação’

Educação reprovada

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos, divulgado esta semana pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), confirmou o que já sabíamos: o ensino básico brasileiro está entre os piores do mundo. A pesquisa mostrou que estamos “reprovados” em matemática, ciência e leitura. Entre as conclusões do estudo está a de que o Brasil é o país que registra a maior desigualdade entre a rede pública e a privada. No entanto, apesar dos estudantes de escolas públicas terem o desempenho pior, os matriculados na rede particular também não obtiveram boas notas nas disciplinas avaliadas. Entre as causas para o vergonhoso resultado podemos identificar a falta de professores em ciências e matemática, principalmente no ensino médio. Com base na baixa demanda por cursos de licenciatura nas áreas, as previsões não são das melhores. Na relação de concorrência divulgada este ano pela Comissão de Vestibular da Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo, os cursos de matemática, química, física e ciências biológicas foram os menos procurados. Enquanto não houver um programa de incentivo à docência continuaremos com estes índices pífios em educação.

Nota de resposta à charge publicada no DP

Em charge publicada na edição do último domingo (25/11) do Diario de Pernambuco, no dia da 1ª fase do vestibular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a ilustração satiriza a proliferação de faculdades e universidades no estado. Mas o assunto está longe de ser motivo para piada. Só em Pernambuco, as instituições particulares são responsáveis por 65% das vagas no Ensino Superior. Se compararmos as instituições de todo o país, este índice sobe para 87%. A qualidade destas faculdades é posta à prova através do Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes), aplicado pelo MEC. Com a criação do Programa Universidade para Todos (Prouni), que concede bolsas de estudo a estudantes de baixa renda, o governo federal já reconheceu a importância da iniciativa privada para a democratização da Educação Superior, em um país onde somente 10% da população com idade universitária estão matriculados em um curso de graduação. Em Pernambuco, este índice é de apenas 6%. Enquanto isso, as universidades públicas, onde deveria se concentrar a legião de estudantes que não tem condições de pagar pelo estudo, acabou se transformando em reduto dos “bem nascidos”, cujos pais tiveram condições de bancar a Educação básica em renomados colégios privados, em vista da precariedade do ensino público. Infelizmente, faltam-nos razões para rir da situação.

Conceito máximo para o Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou esta semana o resultado da avaliação dos cursos de pós-graduação de todo o País, classificando em uma escala de 1 a 7 a qualidade dos programas de mestrado e doutorado. O balanço final revelou a excelência da produção científica brasileira, com apenas 3,5% dos cursos reprovados pelo MEC. Para além dos números e do ranking, os procedimentos adotados pela Capes deveriam servir de base para outras avaliações do ensino no Brasil. Os cursos de pós-graduação reprovados, por exemplo, só serão divulgados após a fase dos recursos, evitando, assim, uma exposição pública sem direito à defesa. Ao contrário de outras avaliações, que geram muito barulho, mas não resultam em coibir o funcionamento de cursos ruins, o Capes regularmente descredencia mestrados e doutorados com fraco desempenho. Já nos cursos de graduação, nunca uma faculdade foi fechada por reprovar em exames oficiais. Se houvesse uma avaliação das avaliações, certamente a do Capes receberia o conceito máximo.

A jornada do herói

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), divulgados recentemente pelo MEC, revelam que, entre os matriculados nas universidades federais, os alunos vindos da rede pública apresentaram desempenho melhor do que os oriundos da rede privada. Numa análise desatenta, a notícia pode levar a conclusões equivocadas. Atribuir o desempenho ao aumento da qualidade do Ensino Básico nas escolas públicas, infelizmente, é um delas. Prova disso é que os alunos da rede pública ainda são minoria nas universidades federais, revelando que o mérito é exclusivo do estudante.

Na odisséia rumo ao Ensino Superior, o candidato da rede pública enfrenta falta de professores em algumas disciplinas, greves e currículos defasados. Apesar dos obstáculos, nosso herói passa pelo primeiro teste, conquistando a aprovação no vestibular. A persistência e superação dos desafios têm reflexo no desempenho na faculdade, como comprovou os dados no Enade. A recompensa pelos esforços durante a jornada de estudos certamente virá com a conquista de um lugar de destaque no Olimpio do mercado de trabalho. No entanto, o grande desafio ainda deve ser superado pelos agentes públicos: transformar este caminho em menos árduo, possibilitando que alunos da rede pública e particular sigam pela mesma estrada das oportunidades.