Arquivo de ‘Educação’

Conceito máximo para o Capes

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou esta semana o resultado da avaliação dos cursos de pós-graduação de todo o País, classificando em uma escala de 1 a 7 a qualidade dos programas de mestrado e doutorado. O balanço final revelou a excelência da produção científica brasileira, com apenas 3,5% dos cursos reprovados pelo MEC. Para além dos números e do ranking, os procedimentos adotados pela Capes deveriam servir de base para outras avaliações do ensino no Brasil. Os cursos de pós-graduação reprovados, por exemplo, só serão divulgados após a fase dos recursos, evitando, assim, uma exposição pública sem direito à defesa. Ao contrário de outras avaliações, que geram muito barulho, mas não resultam em coibir o funcionamento de cursos ruins, o Capes regularmente descredencia mestrados e doutorados com fraco desempenho. Já nos cursos de graduação, nunca uma faculdade foi fechada por reprovar em exames oficiais. Se houvesse uma avaliação das avaliações, certamente a do Capes receberia o conceito máximo.

A jornada do herói

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), divulgados recentemente pelo MEC, revelam que, entre os matriculados nas universidades federais, os alunos vindos da rede pública apresentaram desempenho melhor do que os oriundos da rede privada. Numa análise desatenta, a notícia pode levar a conclusões equivocadas. Atribuir o desempenho ao aumento da qualidade do Ensino Básico nas escolas públicas, infelizmente, é um delas. Prova disso é que os alunos da rede pública ainda são minoria nas universidades federais, revelando que o mérito é exclusivo do estudante.

Na odisséia rumo ao Ensino Superior, o candidato da rede pública enfrenta falta de professores em algumas disciplinas, greves e currículos defasados. Apesar dos obstáculos, nosso herói passa pelo primeiro teste, conquistando a aprovação no vestibular. A persistência e superação dos desafios têm reflexo no desempenho na faculdade, como comprovou os dados no Enade. A recompensa pelos esforços durante a jornada de estudos certamente virá com a conquista de um lugar de destaque no Olimpio do mercado de trabalho. No entanto, o grande desafio ainda deve ser superado pelos agentes públicos: transformar este caminho em menos árduo, possibilitando que alunos da rede pública e particular sigam pela mesma estrada das oportunidades.

Placebos da Educação

Mais um placebo da educação brasileira. O governo de Pernambuco anunciou esta semana um Programa de Aceleração dos Estudos, que visa reduzir a repetência e a defasagem de série. Com a iniciativa, 14 mil alunos da rede pública poderão concluir o Ensino Médio em 15 meses. Como instrumento propaganda, trata-se de um tiro certeiro, pois em pouco tempo a staff do governo poderá se gabar do aumento no número de concluintes da Educação Básica durante a atual gestão. No entanto, os dados podem maquiar uma realidade preocupante: a qualidade do ensino oferecido aos alunos com esta metodologia compacta e a competitividade dos participantes do programa se comparado com os estudantes que concluem o Ensino Médio no sistema tradicional, em relação ao ingresso no mercado de trabalho e na dança das cadeiras dos vestibulares. Para tentar resolver o problema da defasagem em seu cerne, as ações governamentais deveriam ser voltadas a identificar e buscar soluções para as dificuldades de aprendizado que ocasionam na repetência dos estudantes, bem como os motivos da evasão. Mas iniciativas deste tipo demandam tempo e a obtenção de um resultado pode atravessar governos, sendo cria de muitas mães. Acaba por ser um filho renegado.

Impulso para a popularização do EAD

Apesar de já ter se consolidado internacionalmente como uma tendência no ensino, no Brasil a educação à distância ainda é vista com desconfiança por boa parte da sociedade. No entanto, os resultados de uma pesquisa do Inep vêm para derrubar os tabus a respeito desta didática. Levantamento feito com base nos resultados do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade) mostra que aluno a distância teve um desempenho melhor que os demais estudantes em sete das 13 áreas onde a comparação é possível. Este era o impulso que o EAD precisava para deslanchar no País e cumprir o seu papel de ampliar o acesso ao Ensino Superior. Regulamentada pelo Governo federal desde 1998, o número de estudantes matriculados em um curso de graduação a distância ainda é ínfimo se comprado a uma graduação presencial: são 115 mil contra cerca de 4,4 milhões de universitários, respectivamente, de acordo com dados do último Censo da Educação Superior do MEC. Mais do que estimular o potencial democratizante do EAD, os resultados do Enade provam que é possível se oferecer serviços educacionais de qualidade através da Internet. Mas, seja na sala de aula ou diante do computador, o desempenho sempre será diretamente proporcional à dedicação do aluno.