Ruptura e agenda governamental

O que ocorrerá com o Brasil após as eleições presidenciais de 2010? Indagação que os setores produtivo e financeiro do Brasil, bem como investidores estrangeiros, estão fazendo. Arrisco a dizer que não ocorrerá nenhuma ruptura, em particular com os pilares da economia propostos por FHC e respeitados pelo presidente Lula. Tanto Serra como Dilma, certamente, não mexerão radicalmente em torno do equilíbrio fiscal, câmbio e metas inflacionárias.

É claro que Dilma e Serra são diferentes. Ouso dizer que Dilma acredita na força do Estado na economia. O estado como indutor do desenvolvimento. O que diferencia o pensamento de Serra do de Dilma consiste no grau de interferência do Estado na economia. Enquanto Dilma acredita que o Estado deva interferir radicalmente na economia, Serra acha que a interferência deva ser modesta. Concordamos com Serra. O poder estatal não pode sufocar os mercados. O poder estatal deve, sim, regular os mercados e oferecer linhas de crédito para consumidores e empresas, já que tem um papel imprescindível na economia.

Serra deverá ser mais radical no ajuste fiscal. Ao contrário de Lula – e de Dilma – o presidenciável do PSDB, caso vença o pleito eleitoral, poderá frear o ritmo de contratações de funcionários públicos que está inchando a máquina estatal. Deverá drenar parte da economia advinda deste freio, para o investimento em infraestrtura. Saliento, contudo, que, se Dilma vencer, ela não será irresponsável no trato dos gastos públicos. Ela sabe que equilíbrio fiscal atrai investidores externos. E a presença deste equilíbrio contribui para o cumprimento das metas inflacionárias.

Dilma Roussef, por acreditar na força do Estado indutor do desenvolvimento, pode não optar por atrair a iniciativa privada para atividades que estão hoje sob o controle estatal. Por exemplo: constato que os aeroportos brasileiros carecem de infraestrutura adequada para atender a demanda. Mas será que Dilma permitirá a privatização da Infraero? Vejo com bons olhos a alternativa de privatizar a Infraero. Certamente, investimentos em aeroportos atraem a iniciativa privada, principalmente em virtude de que o Brasil sediará a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016). A indagação feita à candidata Dilma, também faço ao candidato Serra.

O Brasil tem carências nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Estou ciente do papel dos municípios e dos estados nestas três áreas. Mas o governo federal tem a sua responsabilidade. Reconheço os esforços de FHC e Lula nestas áreas. Contudo, as ações não foram suficientes para mudar radicalmente a situação da saúde, da educação e da segurança. Neste sentido, indago: o que Serra ou Dilma propõe para estes três setores? Certamente, eles têm propostas. As áreas citadas não serão esquecidas por um ou por outro.

Dois pontos cruciais, os quais FHC e Lula não conseguiram resolver. O que propõe Serra e Dilma para a previdência pública? E para a alta carga tributária no Brasil? Com a tendência de redução crescente da taxa de natalidade, menos jovens adentrarão no mercado de trabalho. Portanto, menos pessoas financiando as aposentadorias. Neste sentido, a reforma da previdência é necessária. Serra ou Dilma a fará?

O Brasil tem alta carga tributária. Esta está estável, mas já apresentou tendência de crescimento. A alta carga tributária inibe o investimento do setor produtivo e o consumo dos indivíduos. A redução da carga tributária é necessária. Para tal, é necessário, entre outras ações, cortar gastos públicos. Dilma ou Serra tem esta intenção?

Certamente, como já frisei, a ruptura com os pilares básicos da economia não ocorrerá. Mas o próximo presidente precisa ser audacioso. Pois o Brasil necessita continuar o seu ritmo de desenvolvimento socioeconômico.

2 Respostas para “Ruptura e agenda governamental”

  • Geronildo Jr.:

    Não me interesso muito pelo assunto política (um dos males do brasileiro), mas o que recentemente vemos na mídia é o país (via seu “lider”) garimpando aliados extrangeiros sob a bandeira apaziguadora.

    Estaria o PT mais preocupado em nos aproximar do rítmo de países “desenvolvidos” na intenção de tentar garantir alidados (de ambos os lados) para continuar no poder? Até quando esses países “desenvolvidos” suportarão a figura brasileira imitando os EUA em assuntos internacionais?

    Seja lá qual for as intensões, ambas as partes (Serra ou Dilma) terão muito trabalho pela frente.

  • José Luis Loureiro:

    Dr. Janguiê

    Sou aluno recente da Instituição.
    Tenho recebido excelentes comentários de sua pessoa, um vencedor.
    Mas permita-me um comentário:
    Precisar aparecer mais na Instituição, não o conhecemos pessoalmente.
    Precisa visitar as salas de aula, seria interessante o contato com uma pesssoa de sua invergadura.
    Sucesso

    José Luis Loureiro
    055937 – Eng. Ambiental 2010.1 – 1°. Semestre.

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