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Nasceu em 21 de março de 1964, em uma pequena cidade do sertão da Paraíba. Aos cinco anos, seus pais se mudam para Mato Grosso e, depois, para Rondônia.(...)
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Histórico

As lições da tragédia

Os desastres ocorridos no Rio de Janeiro com as chuvas em janeiro renderam boas lições ao Governo Federal. Uma delas é como otimizar a aplicação dos recursos que são recebidos por doações. Mas o incidente ensinou mais. Ensinou, principalmente, que o Brasil não estava preparado para lidar com a situação.

Depois que a poeira baixou, é preciso reerguer a vida que restou nas localidades atingidas e o Governo Federal entendeu que é necessário mais equipamentos e pessoal para a prevenção de desastres naturais. A criação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais anunciado pelo Governo Federal depois das enchentes na região serrana do Rio de Janeiro irá exigir a compra de, pelo menos, mais dez radares meteorológicos e mil pluviômetros automáticos. Os equipamentos serão usados na previsão e monitoramento de chuvas. Ou seja, é gastar agora para evitar novos prejuízos depois.

O Brasil conta com cerca de 20 radares meteorológicos e uma média de 800 pluviômetros automáticos, que tem por finalidade – tecnicamente falando – captar dados sobre o movimento de circulação da massa de ar e de gotículas de água. Pelas explicações de técnicos da área, esses dados são processados em supercomputadores que podem prever a localização e intensidade das chuvas. O pluviômetro, por sua vez, mede o volume da chuva que caiu.

Mas o Brasil ainda está despreparado para os desastres naturais. Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, temos apenas 100 geólogos que trabalham para conhecer as condições das áreas de risco, especialmente nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste. É pouco, mesmo porque o assunto é grave. Nos últimos 20 anos, cerca de 200 cidades brasileiras registram, por ano, ao menos cinco mortes por conta das chuvas e mais de 500 cidades registraram perdas materiais.

O Brasil não estava preparado. E ainda não está. A compra de equipamentos para monitorar as chuvas e a implementação do Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais é de responsabilidade do Ministério de Ciência e Tecnologia, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Defesa, Ministério da Agricultura, Ministério do Planejamento, Gabinete de Segurança Institucional a Casa Civil. Mas não há orçamento. O Congresso Nacional ainda não sancionou a Lei Orçamentária de 2011 e, pelo que tudo indica, haverá cortes.

E, dentre as lições que o Governo vai aprender com o desastre, o Tribunal de Contas do estado do Rio de Janeiro irá orientar os prefeitos dos municípios da região serrana atingidos pelas chuvas sobre a utilização e prestação de contas dos recursos que foram doados para a reconstrução das cidades. Muitas vidas foram perdidas com o desastre, mas a lição foi dada. Agora, cabe ao Governo mostrar que aprendeu e colocar em prática o que deve ser feito, o quanto antes.

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