Arquivo de Mar de 2010
Um novo Brasil
Novos costumes. Novas crenças. Novos valores. Novas ideias. Temos um novo Brasil. Este novo Brasil é especialmente representado por uma nova classe média brasileira, a qual é retratada por Amaury Souza e Bolívar Lamounier no livro “A classe média brasileira – ambição, valores e projetos de sociedade”. É representada, também, pela pesquisa Tendências da Maioria realizada pelos Institutos Datafolha e Data Popular. Segundo esses trabalhos, a classe C representa a nova classe média brasileira.
Nos últimos anos, lentamente, em razão do crescimento do consumo e da expansão do ensino superior, indivíduos emergiram da classe D para a classe C. Com isto, mais consumidores adentraram no mercado. Mais pessoas – com maior nível de instrução e, por consequência, com maior capacidade para aproveitar as oportunidades do mercado – estão presentes na sociedade.
De acordo com a obra de Amaury Souza e Bolívar Lamounier, a classe C considera a educação como variável que possibilita a mobilidade social – assim como as classes A e B. Isto significa que investir em educação é adquirir crescimento profissional. Este, por sua vez, cria potenciais consumidores. Mais renda, mais consumidores. Menor desigualdade social. Se a nova classe média reconhece a força da educação, assim como as classes A e B já reconheceram, posso apostar no crescimento da economia brasileira.
Amaury Souza e Bolívar Lamounier afirmam, contudo, que os indivíduos, em particular a classe C, reconhecem a importância do diploma universitário. Contudo, eles sabem também que o diploma não é tudo. Neste caso, compreendo que os brasileiros reconhecem as mutações constantes do mercado de trabalho. Deste modo, eles sabem que precisam continuar estudando.
A pesquisa de Souza e Lamounier revela que 55% dos entrevistados da classe C desejam ter o seu próprio negócio. E 45% almejam um emprego estável, com carteira assinada. Estes resultados mostram que uma parte dos indivíduos deseja ser empreendedor. E uma parte menor, mas significativa, deseja a estabilidade. Constato, portanto, que a atitude empreendedora está presente na classe C. Mas também, observo que muitos indivíduos ainda estão à procura da estabilidade, que poderá vir através do emprego público conquistado através de concurso público.
Pesquisas dos institutos Datafolha e Data Popular mostram que 55% da classe C possuem caderneta de poupança. E 60%, cartão de crédito. Afirmo, com base nestes resultados, que os indivíduos da classe C adentraram no sistema financeiro, buscam crédito e também poupam. Saliento que o ato de poupar contribui para que o estado adquira condições de investir em infraestrutura.
É importante destacar que a maioria dos jovens brasileiros está nas classes C e D. Sendo assim, é fácil prever que se continuar a expansão da economia brasileira, a classe C aumentará, assim como o mercado consumidor. E, por consequência, a desigualdade social diminuirá.
De acordo com a pesquisa dos institutos Datafolha e Data Popular, 95 milhões de brasileiros fazem parte da classe C. Neste sentido, constato que um novo e promissor Brasil existe. No entanto, o Brasil tem dois desafios: contribuir para que a mobilidade social continui fortemente presente em nossa realidade social e que a classe C não seja a única a receber mais novos indivíduos. As classes A e B também precisam crescer, e a consequência disto será maior desenvolvimento e menor desigualdade social.
O sucesso do nosso Carnaval
Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), o qual presido, revela que o Carnaval de Pernambuco é um produto comercial e turístico que precisa ser explorado cada vez mais pelo poder público e a iniciativa privada. O estado deve atuar como gestor do Carnaval. E também deve incentivar a iniciativa privada a explorá-lo comercialmente. Ambos os atores, poder público e iniciativa privada, devem ser parceiros.
A pesquisa do IPMN revelou que o folião gostou do carnaval 2010 em vários aspectos – 93,1% afirmaram que o Carnaval deste ano foi Ótimo/Bom. Destacamos que 84,6% dos foliões aprovaram positivamente o trabalho da Polícia. Aproveito para parabenizar o governador Eduardo Campos pela gestão eficiente da segurança pública no Carnaval.
É importante destacar também que 48% dos entrevistados declararam ter brincado pelo menos uma vez o Carnaval deste ano. Friso que 8,7% declararam que não brincaram o Carnaval em razão da violência. No caso, o possível folião tinha ou tem a expectativa de que, ao brincar Carnaval, ele poderá ser vítima de algum ato violento. Neste sentido, é importante o aprimoramento frequente das ações de segurança.
O transporte público foi muito usado pelo folião – 66,4% afirmaram que usaram transporte público neste carnaval. Neste universo, 88,7% utilizaram o ônibus. Saliento que 80,5% aprovaram os serviços de transporte público. Em contrapartida, 70,5% dos foliões não usaram os serviços de táxi. Dentre aqueles que utilizaram os serviços de táxi, 76,8% aprovaram os serviços.
A pesquisa revela que o Carnaval do Recife Antigo atrai foliões – 53,6% declararam ter brincado carnaval no Recife Antigo. 94,3% desses foliões consideraram o Carnaval do Recife Antigo como Ótimo/bom. A pesquisa mostra que os pólos de folia organizados pela prefeitura do Recife atraem público. O pólo mais frequentado é o do Bairro do Recife. Portanto, a iniciativa do ex-prefeito João Paulo de descentralizar o Carnaval do Recife é louvável. Assim como as ações do prefeito João da Costa no Carnaval deste ano.
O Galo da Madrugada atrai muitos foliões. Daqueles que declaram que brincaram Carnaval, 56,4% afirmaram que foram ao Galo da Madrugada. Neste universo, 95,5% afirmaram que o Galo da Madrugada foi Ótimo/bom. Saliento que a prestação da segurança pública no Galo da Madrugada neste ano é merecedora de aplausos.
O frevo sobrevive, apesar de 43,2% dos entrevistados afirmarem que preferem brincar o Carnaval ao som de todos os ritmos. Mas, 36,2% querem “pular” Carnaval exclusivamente ao som do frevo. Concluo, portanto, que o recifense valoriza o frevo e prefere o carnaval multicultural, o qual é instituído pela prefeitura do Recife.
Algumas curiosidades da pesquisa: Alceu Valença é o cantor pernambucano de frevo mais lembrado pelos pernambucanos – 39,8% dos entrevistados citam Alceu Valença como cantor de frevo. Contudo, Valença não é um artista que canta exclusivamente frevo. Ressalto que Claudionor Germano foi citado por 8,7% dos entrevistados.
Por fim, saliento que 78,2% dos entrevistados desejam o retorno do Recifolia. Eu também sou favorável ao retorno deste importante evento para o turismo de Pernambuco, desde que num lugar apropriado onde não possa perturbar os moradores locais, como ocorre em Natal. Reconheço que o poder público e a iniciava privada têm condições de realizarem o Recifolia. Isto foi comprovado neste último Carnaval!
Carta de Agradecimento à Faculdade de Direito do Recife
Em 1983, no imponente prédio da Faculdade de Direito do Recife, finquei a pedra fundamental para a construção de um sonho, quando me matriculei no curso jurídico da respeitada instituição. Por aqueles corredores tracei minha trajetória profissional, ao concluir minha graduação, mestrado e doutorado e, em 1990, ingressar na docência através de concurso público. Hoje, 27 anos depois, tomo uma das mais difíceis decisões de minha vida: deixar a Casa de Tobias. Neste dia 05 de março de 2010 apresentei meu pedido de exoneração do cargo de professor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco ao Magnífico Reitor Amaro Lins.
Durante um período, através de liminar confirmada por sentença da Justiça Federal, consegui a licença sem remuneração, na esperança de reorganizar minha agenda para conciliar as responsabilidades empresariais com o ofício de professor. Mas optei pelo caminho do empreendedorismo e as escolhas implicam em renúncias. Não pretendo mais manter minha função por meio da judicialização. Com isso abro espaço para a renovação da banca pelos mais jovens. Apesar na minha inegável tristeza por virar a página deste importante capítulo da minha história, deixo a instituição com uma profunda gratidão por tudo o que ali conquistei, e futuramente pretendo voltar, por meio de um novo concurso público, para poder retribuir por toda a bagagem intelectual que a Casa me proporcionou.
Meus agradecimentos aos professores e amigos João Maurício Adeodato, Ivanildo Figueiredo, George Browne, Alexandre Pimentel, Clóvis Correia, Sérgio Torres, Zélio Furtado, Raimundo Juliano e Ivo Dantas, aos reitores Efrém Maranhão, Mozart Neves e Amaro Lins, às funcionárias Valéria, Ricarda, Josi e Ana Paula, e especialmente a todos os meus ex-alunos que transformaram, durante estes 20 anos, o exercício da docência em uma experiência de aprendizagem recíproca e colaborativa.
Hoje eu deixo a Faculdade, mas ela sempre estará em mim, com seu fervor cultural, sua capacidade de germinar ideias, sua agitação criadora. Muito me orgulho de ser filho deste importante marco intelectual da história de nosso Brasil.
Responsabilidade Social Empresarial e o Greenwashing
A responsabilidade social empresarial virou uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais brasileiros. Governos, ativistas e meios de comunicação hoje cobram de empresas a responsabilidade pelas consequências sociais de suas atividades.
Várias empresas estão repensando sua postura ética frente à sociedade. Um novo pensar e agir no âmbito empresarial, dando uma conotação cidadã aos negócios. Leia mais… »